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18/12/2014 09:00:00 - Geral

Piauí foi responsável por 59% dos
desmatamentos da Mata Atlântica


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Cânion da Serra Vermelha é um dos exemplos da presença de Mata Atlântica no Piauí que vem sendo desmatado



A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram ontem os dados mais recentes sobre a situação dos 3.429 municípios da Mata Atlântica no país, através do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica. Os 10 municípios que mais contribuíram para supressão do bioma, entre 2012 e 2013, desmataram, juntos, 10.620 hectares de floresta. Desse total, o Piauí foi responsável por 59,7% dos desmatamentos, suprimindo 6.343 hectares do bioma.  No total geral, o desmatamento teve alta de 9% em relação ao período anterior (2011-2012).
Atualmente, o bioma está presente em 47 municípios do Piauí, sendo que a cidade de Manoel Emídio foi responsável sozinha por 13% da supressão do bioma do País, no período estudado, com 3.134 hectares de área desmatada. O ranking segue com as cidades de Alvorada do Gurgueia, que desmatou 2.491 hectares e a cidade de Eliseu Martins, com 718 hectares de floresta desmatada.  
Por outro lado, o Estado também possui os dois municípios mais conservados do Brasil (Tamboril do Piauí e Guaribas), ambos com 96% de vegetação natural preservada, que abrigam parte do Parque Nacional da Serra das Confusões, uma importante Unidade de Conservação da região.
Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, ressalta a ligação entre a alta verificada nas cidades de Manoel Emídio e Alvorada do Gurgueia e o aumento da produção agrícola no Piauí, que subiu 135,3% no último ano e duplicou as áreas desmatadas de Mata Atlântica. 
"Este crescimento tem sido um forte motivo de preocupação. Começamos a monitorar o Piauí no ano passado, e ele já entrou no ranking dos maiores desmatadores. Este é um alerta ao Governo do Estado às prefeituras e ao Ministério Público local para verificar e intensificar a fiscalização na região", afirma.
Para a ambientalista Tânia Martins, membro da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA), os novos dados são uma repetição do quem vem acontecendo há anos no Piauí, sem que nenhuma medida mais enérgica seja tomada para frear o avanço do desmatamento. Segundo ela, nacionalmente, existem políticas públicas voltadas para a preservação do bioma, entretanto, essas políticas não estão sendo aplicadas no Estado.
"Temos um plano nacional de proteção do bioma, que recebe investimento da Alemanha, mas essas políticas não chegam até o Piauí. Acredito que falta interesse dos gestores em viabilizar essa discussão no Estado e nos municípios, porque essas políticas ainda não foram colocadas sequer no papel", afirma.







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