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sábado, 25 de outubro de 2014
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25/10/2014 09:00:00 - Geral

156 homens são resgatados 
em situação de trabalho escravo

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sem estrutura, os trabalhadores dormiam em redes ao relento



Pelo menos 156 homens foram encontrados em situação análoga à escravidão nas cidades de Luís Correia, Ilha Grande, litoral do Piauí, e em Picos. O grupo trabalhava na extração do pó da palha carnaúba e foi resgatado pela equipe da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), que divulgou ação no site da instituição.  De acordo com o auditor do grupo especial de fiscalização rural, Robson Waldeck, os trabalhadores estavam alojados no meio da mata, cozinhavam em buracos e bebiam a água retirada do rio, que era armazenada em tambores de produtos químicos, com graves ameaças à saúde dos trabalhadores. 
"Eles eram submetidos a rotinas análogas à de escravos, alojados no meio do mato, entre as árvores. Os trabalhadores que encontramos não apresentavam qualquer sinal de acompanhamento médico, e alguns estavam acidentados por falta de equipamento de proteção. A própria água que eles bebiam era retirada do rio e guardada em tambores impróprios para armazenar líquido para consumo", descreve.
Segundo o auditor, a situação de degradação encontrada na ação fere uma série de direitos trabalhistas, entre elas falta de exames médicos admissionais e ausência de instalações sanitárias. Sem dormitórios ou qualquer abrigo com estrutura, eles dormiam ao relento, em redes armadas em árvores, falta de equipamentos de Proteção Individual, falta de materiais de primeiros socorros, falta de local adequado para preparo e tomada de refeições - a alimentação era preparada em buracos cavados no chão e os trabalhadores se alimentavam sentados no chão ou em troncos de árvores. 
Foi constatado que os trabalhadores são trazidos da Granja, no Ceará e eram contratadas a mando das empresas, através de terceiros, geralmente, residentes nos próprios locais de origem dos trabalhadores. Três empresas de extração foram autuadas e devem pagar cerca de R$ 120 mil em multas rescisórias. "Essas pessoas são contratadas por meio de empreiteiros que os encaminham para o local de trabalho. As empresas do ramo fazem uso de indivíduos que moram nas cidades onde os trabalhadores moram e os instruem em como negociar os serviços. Nessa negociação as empresas não participam diretamente", conta.
A gravidade do caso é tanta, que a cadeia produtiva da extração dos derivados da carnaúba deverá ser fiscalizada de forma mais intensa e regular Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Para Robson Waldeck, a regularização do processo de extração é essencial para a formalização das etapas de produção, que culminam na própria exportação dos derivados da planta.
"É importante ver isso com atenção, pois o pó da palha da carnaúba depois de beneficiado gera uma série de produtos, inclusive a cera, que tem um alto valor de exportação. Cuidar da formalização das etapas de produção é vital no âmbito de se proteger os direitos dos trabalhadores que participam da fase inicial desse processo. Não se pode admitir que um produto que gera riqueza ser extraído com base em condições degradantes por parte dos trabalhadores", destaca o auditor.





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