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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
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9/2/2016 09:00:00 - Geral

Enfermeiros denunciam desvio 
da Gimas para pagar médicos

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HEDA: trabalhadores exigem a regulamentação da Gimas e aumento salarial para a categoria no Estado



O folião que procurou um dos principais hospitais  públicos do Piauí durante o Carnaval sentiu na pele como o sistema de Saúde do Estado está um caos. Um dos motivos é a greve mantida pelos trabalhadores em enfermagem que denunciam uma série de irregularidades praticadas pela Secretaria de Saúde do Estado. Uma delas é de que o dinheiro da Gimas (Gratificação de Incentivo à Melhoria da Assistência à Saúde)  é desviado,  em parte, para pagar os médicos. Por conta disso, há enfermeiros que estão há sete anos no Estado e que nunca receberam a gratificação. 
Segundo o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Piauí (Senatepi), enquanto um médico do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba recebe até R$ 3 mil só de Gimas por um plantão de 24h, um técnico em enfermagem não recebe mais do que R$ 200,00. A Gimas de um enfermeiro que como os médicos tem curso superior, chega a no máximo a R$ 400,00.
Além da regularização do pagamento da Gimas a categoria quer um acordo para o reajuste salarial que é esperado desde o ano passado e o retorno do pagamento integral da gratificação de insalubridade.
Para o sindicalista, a categoria nada tem contra a classe médica e usa os dados apenas como parâmetro para mostrar a injustiça que a Sesapi está cometendo com a enfermagem do Estado e também queria entender o porquê da preferência da Sesapi por uma determinada categoria e detrimento aos demais trabalhadores em saúde pública da Rede Estadual.
Desde o final do ano passado que a categoria vem tentando convencer o Governo do Estado a regulamentação da Gimas, mas o efeito está sendo o contrário. Além de não pagar a gratificação à enfermagem, o Governo cortou a metade da insalubridade que ela recebia, assim como servidores de outros órgãos estaduais.
No natal e ano novo os trabalhadores em enfermagem já tinham feito uma greve nos principais hospitais da rede pública do Estado exigindo, dentre outras, a regularização da Gimas. O movimento foi mais sentido no HEDA, o segundo maior hospital público da Rede Estadual que tem uma média diária de 220 atendimentos principalmente nos finais de semana.
"Mas nem a paralisação no principal hospital do litoral durante a alta temporada serviu para sensibilizar o Governo. Não sabemos se foi pelo fato de que a maioria de atendimento do Heda é de pessoas de baixa renda, já os turistas mesmo procuram hospitais particulares", disse João Sérgio. O sindicalista também aproveitou para denunciar que os grevistas estão sendo coagidos assediados moralmente por alguns diretores de hospitais. 
Sem negociação e acordo, segundo João Sérgio, os trabalhadores decidiram por uma nova paralisação antes do início do Carnaval. Os enfermeiros, técnicos e auxiliares chegaram fazer manifestações em frente ao Palácio do Karnak, sede do Poder Executivo, no começo deste mês, mas também não foram recebidos.
Durante os primeiros dias de Carnaval o movimento se intensificou principalmente nas cidades de Parnaíba, Picos, Floriano e Teresina onde a adesão ao movimento é considerada muito grande pelo comando de greve.
Na noite de anteontem(8) a categoria fez uma nova assembleia geral em frente ao Heda em Parnaíba para avaliar e fortalecer movimento e decidiu que só volta ao trabalho quando o Governo conceder o reajuste salarial e regularizar o pagamento da Gimas.

 




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