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Conjuntura
J. Barbosa
email: coluna.conjuntura@bol.com.br

DINHEIRO FÁCIL - a dor do endividamento
Os números do consumo nacional, exacerbados em sua expressão de superfluidade, digressivos na avaliação do que é, de fato, necessário para a satisfação das necessidades humanas, chegam a estarrecer os estudiosos do comportamento das pessoas. No suspiro do pós-crise, os dados divulgados pelo Banco Central do Brasil, relativamente ao avanço do uso do cheque especial, na faixa dos R$ 20,4 bilhões, a mais alta linha de financiamento do crédito pessoal(167,5% ao ano), superando o crédito rotativo ou parcelado, mostrou como é fácil a utilização de saques quando a necessidade aperta. Em junho último extrapolamos o patamar dos R$ 10,34 bilhões, e quase chegamos ao despenhadeiro do consumismo a descoberto. Agora, estamos repensando tudo e a migração das operações, do cheque para o cartão-de-crédito, aponta para novos riscos. No duro mesmo, o saldo de aplicações em operações de crédito e financiamentos no País, com saldos no primeiro semestre de 2010, já se aproxima dos R$ 1,4 trilhão e tem mais espaços para expansão. A preocupação, entretanto, reside na adoção, urgente, de um processo de contenção racional das linhas de financiamentos, de vez que a capacidade de liquidez tem o seu limite. Depois do exemplo americano de como não entrar de cabeça nas facilidades creditícias, com a exacerbação imobiliária chegando ao patamar dos US$ 6 trilhões, levando à falência os maiores bancos de investimentos deles, agora controlados pelo governo, e sob nova vigência de regras financeiras, as bolsas do mundo inteiro estão respirando. O negócio reside, basicamente, em aspectos culturais e psicossociais. Recentes estudos realizados por especialistas do ramo mostram que o consumidor acaba gastando menos quando paga as compras à vista. Quanto mais transparente for o fluxo de dinheiro que sai, maior aversão aos gastos, ou melhor, maior "dor do gasto". No Brasil, a coisa degringolou tocada na esteira das facilidades de pagamento, ampliação dos prazos e, ultimamente, na criatividade das microprestações, com o retorno do IPI e tudo mais. O cara pensa que pagar menos, mensalmente, significa não estar adentrando no cipoal do endividamento crônico e aí entra o cheque especial, o crédito consignado, o cartão-de-crédito, etc. A pesquisa feita por consultores dos Estados Unidos, observando 114 pessoas que se depararam com o cenário de uma refeição em restaurante famoso de lá, evidencia que elas estão mais dispostas a gastar(ou pagar) mais quando usam outras formas de pagamento, de preferência, a prazo. Ao contrário, o pagamento à vista sugere a "dor do gasto" e é aí que mora a prudência na hora de comprar ou consumir desbragadamente. Ao detalhar seus gastos, as pessoas tendem a gastar menos, é uma verdade quase-absoluta decorrência de influxos psicológicos. Na prática, quando o consumidor se depara com a oportunidade do vale-compra a prazo, onde gastaria mais, se ele pagasse à vista, certamente, dispenderia menos dinheiro. Tudo parece uma "brincadeira de dinheiro", ou seja, as formas transparentes são mais econômicas ou de controle do consumo. Então, o perigo da manipulação ou facilitação dos gastos está bem pertinho da gente, alterando o nosso comportamento. Todo cuidado será pouco.

Agora é para valer
As farmácias e drogarias brasileiras já vem adotando procedimentos de vendas dentro das normas estabelecidas pela Anvisa-Agência Nacional de Vigilância Sanitária no que respeita à comercialização de produtos não-farmacêuticos. É claro que isso era preciso ser feito, mas por que o Órgão de vigilância não dá também uma revisada em supermercados e outras lojas proibindo a venda de medicamentos?

Sem constrangimento
Pouco a pouco, o Código de Defesa do Consumidor(CDC) no Brasil vai ratificando sua razão de ser e assumindo o seu lugar no regramento das relações consumidor/fornecedor. Uma das coisas mais importantes, atualmente em prática no País, é a repressão da Justiça no que tange ao constrangimento de devedores, os quais não podem ser expostos ao ridículo, durante o período de inadimplência. Estar na condição de inadimplente, portanto, não significa que o consumidor seja exposto a situações vexatórias, no momento da cobrança. Muita coisa tem rolado, em termos de punição dos infratores, gerando até indenizações vultosas.

InvestiTur
A mesmice e o faz-de-conta do turismo piauiense, regado a arroubos promocionais de realizações abstratas persistem como o retrato de nosso litoral, para a vergonha de quem anuncia aquilo que nunca foi feito. A construção e urbanização da orla marítima de Luiz Correia, capengando há mais de cinco anos, misturadas com outras mazelas operacionais na região, evidenciam o engodo oficial deste "novo Piaui".

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Contraponto

- A euforia, definitivamente, parece que voltou nos braços da rentabilidade das bolsas de valores. A BOVESPA, por exemplo, esbanja o recorde de 67 mil pontos, para acabar de espantar a crise.

- A "febre" consumista nacional voltou atiçada pelas facilidades do crédito e a previsão é de que, neste final de 2010, vamos alcançar o fluxo de R$ 65 bilhões injetados no mercado.

- O cheque volta a despertar a simpatia de comerciantes e prestadores de serviços. Bastou o BC anunciar medidas de moralização de seu uso, aliadas a mudanças no cartão-de-crédito, o cenário mudou para o cheque.

- Na contramão da falácia governamental, relativamente aos investimentos em turismo no Piauí, o antigo e ex-badalado Hotel das Araras, há mais de três exposto à venda, persiste se deteriorando sem nenhum grupo interessado. Cadê os italianos e espanhóis?!