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Conjuntura
J. Barbosa
email: coluna.conjuntura@bol.com.br

A expansão do consignado
É fora de qualquer dúvida de que o melhor mesmo é tentar
tocar a vida sem dever, mas, para o assalariado come
dido e sem tendências para a compulsão,essa utopia é mais um resumo do abstrato com o toque da irrealidade. A sensação do consumismo crônico que tomou conta do brasileiro, começando pelas classes A e B, e se agravando na turma identificada nas categorias de consumo C,D e E, estes últimos mais vorazes no rumo do endividamento, volta a incrementar os níveis de inadimplência. O negócio fica mais complicado quando as opções para sair desse atoleiro de final de mês ficam mais escassas e menos práticas. Por exemplo: sair de uma situação de dívidas sufocantes, para entrar noutra, tipo “bola de neve” que vai enrolando a gente até o despenhadeiro da falência orçamentária familiar, está mais para suicídio financeiro do que aliviar o nó da corda no pescoço. Quando o orçamento aperta, o sentimento de perda de crédito na praça é mais um algoz na vida do consumista obsessivo e o pagamento das contas tem como única saída o crédito parcelado, em condições acomodáveis, taxas de juros civilizadas e acesso ágil e sem burocracia. De 2004 para cá, o mercado brasileiro de financiamentos de médio e longo prazo experimentou a implementação do chamado crédito consignado, inicialmente, para a turma do INSS, depois foi copiado para órgãos públicos, enfim, desembocando nas estatais e, ultimamente, anunciada a intensificação pela Caixa Econômica Federal, com nada menos de R$ 10 bilhões para as empresas privadas conveniadas. Por paradoxal que possa parecer, o crédito consignado se revitaliza para quebrar o galho do consumo, num momento em que o País se debate com o ser ou não ser tragado pela crise global. Pesquisa recentemente realizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor(Pro Teste) tirou qualquer dúvida acerca do consignado: ficou comprovado que esta linha de crédito, de risco zero, facilitada pela inclusão até dos encalacrados no SPC/Serasa, é a de encargos financeiros mais baratos. A pesquisa levou em consideração cinco modalidades de crédito, dentre o rotativo de cartão, cheque especial, crédito pessoal, consignado para aposentados e o penhor de bens. Uma simulação mostrou que R$ 1.000,00, contratados em cinco meses, projetava os seguintes saldos devedores: no rotativo de cartão: R$ 1.502,27; no cheque especial: R$ 1.343,94; no crédito pessoal: R$ 1.166,26; no consignado: R$ 1.115,92: no penhor: R$ 1.125,51. Fica claro, então, que querer solucionar uma dívida sem fazer cálculos, ou pedir orientação a quem entende, é por demais temerário e preocupante. Nessa corrida, a leveza e flexibilidade do crédito consignado pode até oferecer a solução para os casos de inadimplência sem rumo. Como a premissa para 2009 é de agravamento do endividamento, a saída pela porta do empréstimo consignado, com encargos cômodos, pode ser uma opção inteligente, para não complicar mais.

Auto-estima enviesada
O complexo de inferioridade nunca pode ser comparado
ao sentimento de auto-estima de um povo. Enquanto o
complexo exclui, aliena e marginaliza, a auto-estima mobiliza, engradece e supera as deficiências naturais. O que é mais grave, é quando a gente quer converter a auto-estima em sensação de conquistas utópicas e irreais, mascarando a conjuntura, negaceando o óbvio e, o pior, tentando criar factóides sem sustentação veraz.

Inclusão
A Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo(Setre),
juntamente com o Sine-Sistema Nacional de Emprego
prosseguem desenvolvendo um projeto de elevado alcance social e intercâmbio com empresas da Capital e interior do Estado. O projeto trabalha no aproveitamento, oferta de vagas para esse contingente de mão-de-obra, com a chancela da dignidade sócio-profissional.

Inclusão II
Na prática, o SINE-PI tem dado suprimento às diretri-
zes de gestão e recrutamento de pessoal, promovendo
projetos e iniciativas inéditas no Piauí. Os dados estatísticos divulgados pela Assessoria do órgão informam que, no período de janeiro a outubro/2008, foram inscritos para emprego nada menos de 20.107 candidatos, destes 8.210 foram encaminhados e aproveitados pelas empresas. Trabalho efetivo, é isso aí.

 

CONTRAPONTO

As montadoras brasileiras, diferentemente, das americanas podem respirar tranqüilas. O BC brasileiro injetará no mercado financiador nada menos de R$ 5 bilhões para o incremento de vendas de automóveis.

E, para completar, os prazos continuarão na faixa dos 60 meses e os juros de menos de 2% ao mês. Pode faltar comprador, mas os pátios das revendedoras estão cheios, aguardando os futuros mutuários.

Impasse nas negociações entre senadores e o Governo Federal para aprovação do projeto-de-lei que restabelece o poder de compra de aposentados e pensionistas do INSS.

De um pensador moderno: “ A igualdade tem o seu valor, não nas argolas e regras da lei, mas na consciência das sociedades”.