SAÚDE
DO BRASILEIRO -
o desequilíbrio financeiro
Enquanto o Governo não retoma o "affair" para tentar
a volta da defunta CPMF, rebatizada com o vulgo de CSS-Contribuição
Social para a Saúde, o coletivo brasileiro vai convivendo
entre a indigência da assistência médica e a
busca, por parte das empresas de saúde suplementar, no sentido
de oferecer mais serviços aos associados, sob a pressão
oficial. A verdade é eloqüente. Apesar de o SUS-Sistema
único de Saúde ostentar em sua proposta assistencial
a universalidade do atendimento e o custeamento das ações
de saúde coletiva, sem desembolsos extras além dos
impostos que todos pagam, 7% dos domicílios brasileiros,
nos quais vivem cerca de 11 milhões de pessoas, já
comprometem 20% ou mais do seu poder de compra com saúde.
Um desfalque monumental para quem já vive na corda bamba
do endividamento.O dado é produto de um levantamento inédito
da Universidade de São Paulo (USP),em conjunto com outros
centros de estudos no País, reunindo pesquisadores da ciências
econômicas, administração, artes, humanidades,
etc. e mostra que os planos de saúde e as despesas com medicamentos
vem-se constituindo nos principais itens de custos das famílias
brasileiras. Na avaliação desse estudo e considerando
que temos um sistema universal de saúde, que prevê
a integralidade das coberturas, o grau de comprometimento deveria
ser zero e nunca 20%" do orçamento doméstico,
um desequilíbrio made in Brasil, se comparado com outros
países, inclusive aqui na América Latina.Os resultados
do país, obtidos a partir de dados da Pesquisa de Orçamentos
Familiares 2002-2008 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística), a última disponível, estão
sendo apresentados à sociedade, durante Seminário
de Gastos Catastróficos em Saúde no Brasil, onde essa
anomalia sócio-financeiro será discutida. Para a ciência
analítica dos custos alinhados às exigências
do dia-a-dia brasileiro, gastos catastróficos são
aqueles que ultrapassam uma proporção da renda ou
da capacidade de pagar dos cidadãos, podendo contribuir para
o empobrecimento e dificultar o acesso à saúde, o
que já ocorre com a maioria da brasileirada enferma e desassistida
nas quilométricas filas de clínicas e hospitais do
País. Diferentes estudos tem apontado que esse porcentual
de comprometimento perigoso pode ser de 20%, 30% ou 40% da capacidade
de pagamento (gasto total menos as despesas com alimentação)
e é ai que mora o perigo.No Brasil, apenas 1% dos domicílios
atingiu o limite o máximo da capacidade de pagamento, mas,
trocando em números, trata-se de 1,6 milhão de pessoas
que tem esse nível de despesa com saúde. O maior índice
de comprometimento foi encontrado no Centro-Oeste do País,
que atingiu 8% dos domicílios com 20% ou mais da renda engessada.
O menor foi registrado na Região Norte, 5%. O Sudeste ficou
na média nacional, com 7%.Então, quais as saídas
para esse gigantesco impasse que mexe com a vida de milhões
de cidadãos deste Brasil imenso na corrida para auferir esse
bem básico da vida - a saúde? Como estamos num ano
eleitoral, onde as promessas, fatalmente, serão renovadas
e ensaiadas nos programas políticos, urge que nós,
como participantes de uma sociedade representativa, saibamos cotejar
elementos de informação e de desempenho para orientar
o sufrágio popular e sairmos desse marasmo secular que fere
o brasileiro e o força a bancar os custos oficiais com saúde,
a despeito da cachoeira de impostos paga anualmente. Só isso.
Redução
da melhor idade
O Congresso Nacional acaba de aprovar a redução do
limite de isenção do imposto de renda para a melhor
idade, de 65 anos para 60. Que quer isso dizer? É que a partir
de janeiro vindouro o "leão" deixará em
paz nada menos de 8 milhões de brasileiros e brasileiras
com 60 anos, ou seja, os proventos de aposentados e pensionistas
até R$ 1.499,00 estarão isentos da garfada leonina.
Também
o DPVAT
Outra medida simpática e oportuna está sendo aprovada
pelo Congresso Nacional no sentido de adotar a prática de
parcelamento também do DPVAT(Seguro obrigatório de
veículos automotores). A exemplo do que já ocorre
com as taxas do IPVA, o seguro dos automóveis de todas as
categorias poderá ser pago em até 03 parcelas mensais,
o que aliviará o bolso do contribuinte nesses tempos de sufoco.
CONTRAPONTO
-
A caderneta de poupança, de alma lavada, comemora o salto
de qualidade nas captações e em fevereiro recém-findo
cravou recursos na ordem de R$ 2,8 bilhões, com saldo total
de R$ 380 bilhões.
- O
crepúsculo do Governo Wellington Dias vai chegando e trazendo
à lume a realidade econômica do Estado do Piauí,
escondida durante algum tempo, através de mecanismos de "engenharia
financeira" da retenção de repasses e apropriações
de outros recursos carimbados.
- Neste
dia 8 de março, segunda-feira, 8, Dia Internacional da Mulher,
a plasticidade feminina foi reverenciada, em ritmo de poesia e muito
carinho. Ela merece!
- Os
"apagões" da CEPISA(que mudará de nome)cuja
ocorrência vem-se tornando mais freqüentes denunciam
a distância que estamos entre a meia-verdade gerencial e a
efetivação dos investimentos no Piauí.
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