semana do desespero na busca do segundo turno

Esta última semana de campanha eleitoral será marcada pela realização de três debates transmitidos pela televisão. Eles podem ser decisivos para a definição da eleição no primeiro turno ou para o encaminhamento de um segundo turno, provavelmente entre Adalgisa Moraes Souza (PMDB) e Sílvio Mendes (PSDB), os dois candidatos melhores posicionados nas pesquisas.
Se mantiver a decisão de não participar, como tem feito desde o início da campanha, a candidata do PMDB poderá ver prejudicado o seu desejo da existência do segundo turno. Ela caiu nas pesquisas exatamente porque negou-se a discutir com os concorrentes os problemas de Teresina. Os seus coordenadores de campanha, sabe-se lá por qual razão, imaginaram que ela seria prejudicada se fosse à televisão junto com os oponentes. Tal decisão fez com que perdesse a dianteira nas pesquisas e agora se vê obrigada a trabalhar dobrado para conseguir pelo menos garantir uma segunda chance na nova etapa da eleição.
Sílvio Mendes propôs-se desde o início a discutir com todos os segmentos, a participar de todos os debates que as emissoras de rádio e televisão quisessem fazer e isso fez com que a sua imagem ficasse rapidamente conhecida pela população, com que suas propostas fossem assimiladas, saindo de percentuais baixíssimos nas pesquisas para um patamar que está quase lhe dando a vitória no primeiro turno.
A campanha ganhou as ruas, ganhou a simpatia das pessoas e isso faz com que ele ganhe consistência e respeito quando apresenta os seus projetos. O fato de que os programas eleitorais na televisão não se preocupam com os adversários também tem sido um fator de crescimento. A população, cada vez mais consciente do que quer para a cidade, para a sua comunidade, está sabendo distinguir perfeitamente quem poderá responder aos seus anseios.

Os erros de Adalgisa
Adalgisa Moraes Souza tem propostas consistentes, é uma mulher séria e honrada, sabe expressar bem seu pensamento, mas o seu programa eleitoral foi de um amadorismo terrível. Não deixaram Adalgisa mostrar o que realmente é. O primeiro programa, quando ela se apresentou e foi apresentada pela sua família, foi o mais marcante. Aquela, creio eu, deveria ser a linha a ser seguida.
Mas, os seus marqueteiros mudaram o rumo da situação e apelaram para denúncias pouco consistentes, para os ataques à uma administração que tem níveis elevados de aprovação, passaram a desperdiçar tempo que poderiam ser usados para propostas e deu no que deu.
Quando mudaram os rumos e incluíram na campanha aquelas figuras ultrapassadas com suas idéias de política mais antiquadas ainda, o caldo terminou de entornar. O povo de Teresina tem passado por muitas experiências políticas e aprendeu a medir o que presta e o que não presta. Na hora de escolher seus dirigentes, sabe muito bem em quem votar.
Adalgisa perdeu-se no meio do caminho porque deixou aparecer na campanha uma imagem diferente do que ela é, deixou que tomassem de conta do seu destino e não impôs o seu estilo próprio, despojado, simples e sem veneno. O tempo é muito curto, mas quem sabe ela não consegue reagir e toma conta da sua campanha, fazendo do seu jeito como sempre fez e obtendo excelentes resultados.

O rumo dos votos
Apesar dos percentuais pequenos nas pesquisas eleitorais, a participação de Flora Izabel (PT), Robert Rios (PC do B), Quem Quem (Prona), Geraldo Carvalho (PSTU), José Roberto (PSC), Luiz Augusto Prado (PDT) e Lourival Nery (PFL) nesta última semana de campanha poderá definir a existência de um segundo turno. Se eles crescerem cada um pelo menos meio por cento nas pesquisas, será fatal para Sílvio Mendes.
Portanto, as atenções devem se concentrar nesses candidatos tanto pelo crescimento quanto pela possibilidade deles liberarem seus eleitores para votar em quem quiserem. Se algum deles entregar os pontos, a tendência mais provável é que os votos migrem para o candidato que lidera as pesquisas. Aquele velho costume de “não perder o voto” sempre tendeu para valorizar quem tem mais chances de ser eleito.
A coordenação das campanhas de Sílvio Mendes e de Adalgisa deve ficar atenta a esses outros candidatos. Podem ser eles que decidam a existência ou não de um segundo turno.
A sinalização de que o PT teria dificuldades para votar em Adalgisa no segundo turno por causa da má convivência com o senador Mão Santa, seu marido, já foi um indicador de que o partido poderá tomar uma decisão nova sobre o voto já neste domingo, decidindo a eleição. Por conta disso, o PSDB mudou o seu comportamento em relação ao PT e são evidentemente amistosas as aproximações entre os seus candidatos. Não é apenas cordialidade, mas o trabalho para receber apoio logo agora, decidindo o páreo.