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O
orçamento impositivo
O orçamento impositivo seria uma excelente alternativa para o país.
Estados e municípios ganhariam muito. A ética na política
também. Os cidadãos passariam a contar com mais obras e
seus conse-quentes benefícios. Funciona assim nos países
dito civilizados. O Brasil deveria estar entre eles. Não está,
o que é uma pena.
O orçamento anual é construído pelos Poderes conjuntamente
- em todos os níveis. No caso da União, é feito entre
Executivo e Legislativo. Começa com proposta encaminhada pelo Executivo
que se chama LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Os parlamentares,
na Câmara e no Senado, a votam, estabelecendo as prioridades da
administração para o ano seguinte.
No momento seguinte, e tendo como base a LDO, é votado o Orçamento
propriamente dito. Trata-se de uma previsão de receitas para um
determinado exercício financeiro, que compreende exatamente o período
de um ano. Nele o Poder Executivo já define valores a serem aplicados
em obras a serem iniciadas ou já em execução.
Os deputados e senadores participam apresentando propostas individuais
ou de bancadas a quem denominam de emendas. Neste caso, como representantes
da população e dos estados, eles apresentam suas propostas
tendo como base as demandas da coletividade. Num determinado município
falta calçamento. Então o deputado e senador coloca na emenda
uma previsão de recursos para serem liberados a fim de que a obra
seja concretizada.
Se, por outro lado, o gestor municipal opta por realizar um festival a
fim de promover as potencialidades da região, então ele
encaminha aos representantes apelo para que tais pleitos sejam inseridos
no Orçamento através das emendas. Muitos festivais foram
realizados no Piauí nos últimos anos através deste
sistema - inclusive há informações de que carnavais
fora de época promovidos por empresas particulares teriam sido
patrocinados pelo governo federal; informações também
de que uma festa realizada no reveillon do litoral e para a qual se cobrou
entrada teria tido financiamento público.
Um detalhe importante em tudo isso é que o Orçamento é
apenas uma previsão de receitas, não estabelecendo ao governante
nenhuma obrigação para com sua liberação,
que na linguagem oficial se chama descontingenciamento. Muitas emendas
apresentadas por deputados e senadores não são liberadas
por causa de posicionamentos contrários ao governo. O próprio
governo, ao prever seus investimentos, realiza apenas aqueles que considera
importantes dentro de uma lógica política.
Há muita barganha, infelizmente, e isso acontece exatamente por
causa da não obrigato-riedade da liberação. O orçamento
impositivo daria maior responsabilidade aos agentes envolvidos na sua
elaboração. Seriam colocadas apenas previsões dentro
de uma realidade financeira, porque muito se fala que algumas ações
não recebem financiamento porque falta dinheiro. Será?
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