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Barragens
e desconfiança
Os piauienses discutem a construção de novas barragens.
Cinco delas, de acordo com projetos do Programa de Aceleração
do Crescimento, serão construídas no rio Parnaíba.
Outra será construída no rio Poti, altura do município
de Juazeiro do Piauí. As barragens são usadas com finalidades
diversas. Represam água dos rios para serem utilizadas em períodos
de estiagem. São usadas também para produção
de energia elétrica ou na irrigação da lavoura. Podem
ser usadas ainda em atividades de lazer e turismo.
Trata-se de obra da maior importância em qualquer parte do mundo.
Mas em nosso estado sempre que se anuncia a construção de
obra assim a população fica com uma pulga atrás da
orelha. Isso acontece por causa do histórico. Pergunte-se a qualquer
pescador do bairro Poti Velho, zona norte de Teresina, o que ele achou
da construção da barragem de Boa Esperança, uma grande
obra realizada nos anos 1970.
Infelizmente, até os dias atuais permanece inacabada. Antes da
barragem, havia peixes em grande quantidade na região do Poti Velho.
Após a sua construção os peixes escassearam de tal
maneira que foram muitos os que mudaram de profissão. Os remanescentes
lembram com saudades daqueles tempos antigos.
Em Boa Esperança, faltam as eclusas e a chamada "escadinha
dos peixes". Por isso, estão escassos. É que durante
a piracema eles sobem a correnteza para desovar nas nascentes. Se não
existe a tal "escadinha" não podem completar o percurso
e assim não desovam como deveriam.
Quem garante que tais obras, ora em projeção, serão
efetivamente construídas? Quem garante que uma vez iniciadas serão
concluídas algum dia? O poder público deveria lutar pela
conclusão da obra já existente. A classe política
deveria se mobilizar no sentido de alocar recursos para a conclusão
de Boa Esperança.
Os ambientalistas já apresentam questionamentos para a construção
das barragens e futuras instalações de hidrelétricas
no Parnaíba. Afirmam que o dinheiro seria melhor empregado se aplicado
na construção de usinas eólicas, que geram energia
através dos ventos. O custo seria infinitamente menor.
A população precisa confiar em seus administradores. Estes
administradores precisam, em contra-partida, se tornar confiáveis.
Em diversas oportunidades houve projetos realizados sem a necessidade
efetiva ou então sem a aplicação dos recursos necessários
para sua construção. Em 2009, a barragem de Algodões
I, em Cocal, rompeu provocando a morte de nove pessoas e devastando uma
grande extensão de terras férteis.
A força das águas arrastou pessoas, animais, casas, automóveis
e tudo o mais que havia pela frente. Na época, técnicos
a serviço do governo garantiram que nada aconteceria e que a barragem
estava segura. As pessoas confiaram e algumas pagaram com a própria
vida. Hoje, ficamos sabendo pela mesma fonte que havia riscos, sim, e
que todos os que deviam ter conhecimento sabiam do que poderia acontecer.
Por essa e outras é que o poder público e seus representantes
perdem em credibilidade.
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