“Tempo
de Contar”
O conselheiro Anfrísio Neto Lobão Castelo Branco,
presi
dente do Tribunal de Contas do Estado, e o desembargador
Manfredi Mendes de Cerqueira, presidente da Academia Piauiense de
Letras, estão convidando para o lançamento do livro
“Tempo de Contar”, de autoria do conselheiro e escritor
Jesualdo Cavalcanti Barros. A solenidade será na próxima
quinta-feira, às 19 horas, no auditório do TCE, com
a apresentação da obra a cargo do professor e acadêmico
Celso Barros Coelho. Nesse seu sexto livro publicado, o advogado
e escritor Jesualdo Cavalcanti reconstitui os principais episódios
que marcaram o movimento revolucionário de 1964, no Piauí,
relatando o que viu e sofreu: as cassações, as prisões
e os processos que resultaram do golpe desfechado pelos militares
para derrubar o governo do presidente João Goulart. Na época,
Jesualdo teve o seu mandato de vereador cassado pela Câmara
Municipal de Teresina, tendo sido também preso e processado,
ao tempo em que o então deputado Celso Barros perdia o mandato
de deputado estadual que exercia. Ambos são, portanto, testemunhas
e vítimas do levante que eclodiu no dia 31 de março
de 1964. Segundo o jornalista e acadêmico Zózimo Tavares,
autor da orelha, o livro não é um acerto de contas
de Jesualdo Cavalcanti com os seus algozes. “É, antes
de tudo, um resgate e um registro de uma época, contada à
maneira de Graciliano Ramos em suas clássicas “Memórias
do Cárcere”: com estilo, sem afetação
ou ressentimentos, por vezes ironizando situações
e pessoas outras, rindo da própria desgraça”
- sintetiza o Editor deste Diário do Povo.
Direito
1
Pelo menos desta vez o Piauí não ficou em últi
mo lugar. Vários foram as unidades da Federação
que também tiveram apenas um curso de Direito recomendado
pela Ordem dos Advogados do Brasil e assim mesmo porque ministrados
por universidades federais - como ocorreu aqui, com a UFPI. Em situação
mais vergonhosa ainda ficaram os cursos de Direito do Tocantins,
do Amapá e de Roraima, que não tiveram nenhum curso
contemplado com o selo OAB Recomenda.
Direito 2
Receberam o selo OAB Recomenda apenas 87 dos 322 cursos de Direito
analisados pela entidade máxima dos advogados em todo o país.
Condenando a mercantilização que tem caracterizado
o ensino de Direito no Brasil, face aos grandes lucros obtidos pelas
faculdades, o presidente da Seccional da OAB de Tocantins, Ercílio
Bezerra, disse que pretende trabalhar para convencer o Ministério
da Educação a fechar os cursos que não apresentam
a qualidade esperada.
Subsídios
Com um ano de atraso, os magistrados piauienses final
mente começam a receber este mês os seus venci
mentos com base na lei que fixou o subsídio mensal de um
desembargador em R$ 22.111,00, tomando-se por base o teto estabelecido
para um ministro do Supremo Tribunal Federal. Fonte do Tribunal
de Justiça revelou que o longo atraso na aplicação
da Lei n° 5.535, datada de janeiro do ano passado, foi causado
pela inexistência de recursos orçamentários
no Poder Judiciário do Estado no decorrer do exercício
financeiro de 2006. Os subsídios que deverão ser pagos
esta semana aos juizes de Primeiro Grau do Piauí vão
de R$ 13.056,46 (para juiz de Direito substituto) a R$ 19.900,12
(para juiz de Quarta e última Entrância).
Inócua 1
De um modo geral, os
operadores do Direi
to não acreditam que tenha plena aplicação
na grande maioria dos estados brasileiros - inclusive no Piauí
- a Lei n° 11.449/2006, sancionada na semana passada pelo vice-presidente
José Alencar. Por essa nova, que quem for preso e não
tiver condições de pagar um advogado terá,
a partir de agora, a garantia de que sua prisão será
comunicada à Defensoria Pública em 24 horas.
Inócua
2
Na avaliação do presi dente em exercício
da Associação dos Magistrados Brasileiros, Doorgal
Gustavo Borges de Andrada, a nova lei é uma boa iniciativa,
mas esbarra em algumas dificuldades de ordem prática - entre
elas a falta de estrutura das Defensorias Públicas. “Em
todo o Brasil, ao menos 30% das comarcas não têm defensores
públicos atuando”, adverte o presidente da entidade
nacional dos magistrados.
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Como deputado eleito pelo PFL,
o advogado Jesualdo Cavalcanti Barros foi presidente da Assembléia
Le-gislativa do Piauí e, ao depois, eleito conselheiro
na quota do Poder Legislativo, presidiu o Tribunal de Contas
do Estado. Ao se despedir do TCE, em 2002, ele dis-se que no
exercício da magistratura ou na presidência da
Corte conduziu como lema uma máxima de Victor Hugo, segundo
a qual “ser bom é fácil, difícil
é ser justo.” E arrematou: “Não sei
se fui bom. Mas tenho a plena convicção de que,
antes de tudo, procurei ser justo. Inclusive por entender, como
Chauvilliers, que “muitos são bons porque não
sabem ser justos.”
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