Invasão
do espaço aéreo libanês
por Israel irrita Nações Unidas
Jerusalém
(AE-AP) - Aviões da força aérea israelense
invadiram o espaço aéreo do Líbano e colocaram
em risco um frágil cessar-fogo ao desencadear desentendimentos
entre Tel-Aviv e Beirute e provocar uma alegada ameaça por
parte das forças de manutenção de paz da Organização
das Nações Unidas (ONU) na região.
O ministro israelense da Defesa, Amir Peretz, disse a uma comissão
parlamentar que os comandantes franceses das forças da ONU
avisaram que os aviões israelenses não estariam mais
imunes se continuassem a violar o espaço aéreo libanês.
“Eles disseram que os aviões israelenses sobrevoaram
o local onde eles estavam e não há mais certeza de
que não abrirão fogo” contra as aeronaves, disse
Peretz durante depoimento perante a Comissão de Defesa e
de Relações Exteriores do Parlamento de Israel. O
depoimento ocorreu ontem. O teor das declarações de
Peretz foi revelado à imprensa por uma fonte que assistiu
à reunião.
Israel alega que seus sobre-vôos não violam a resolução
1701 do Conselho de Segurança (CS) da ONU, que regula o cessar-fogo
que encerrou 34 dias de guerra entre Israel e o grupo guerrilheiro
pró-iraniano Hezbollah. O texto, entretanto, determina que
os dois países devem respeitar a fronteira determinada pela
ONU em 2000, quando Israel deixou o sul do Líbano depois
de 18 anos de ocupação.
Desde 14 de agosto, quando entrou em vigor o cessar-fogo, Israel
violou o espaço aéreo libanês em dezenas de
ocasiões. Numa aparente referência a informações
obtidas nesses sobrevôos, Peretz alegou que Israel coletou
evidências segundo as quais a Síria estaria traficando
armas pela fronteira. “Se essa transferência de armas
para o Hezbollah tornar-se sistemática, teremos de nos cuidar”,
disse Perez, segundo a fonte.
Em resposta, o Exército libanês rejeitou a sugestão
de que não estaria exercendo controle sobre sua fronteira
com a Síria. Segundo o comando militar, as acusações
de Peretz “são apenas um pretexto para manter a agressão
ao Líbano por meio da violação do espaço
aéreo e dos termos da resolução 1701”.
Apesar de tanto Israel quanto o Líbano terem denunciado violações
do cessar-fogo, a trégua tem sido mantida sem episódios
relevantes de violência entre as partes. Ao longo das últimas
décadas, aviões israelenses invadiram rotineiramente
o espaço aéreo libanês, muitas vezes provocando
explosões sônicas que estilhaçavam vidros e
aterrorizavam a população local.
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