Exército marca presença em
14 países em missão de paz

Brasília - São mais de 1,3 mil brasileiros, homens e mulheres do Exército, envolvidos em 14 missões de paz que acontecem, atualmente, pelo mundo. A que conta com o maior número de brasileiros - mil, ao todo - é a do Haiti. Outros 900 militares ainda serão enviados ao país. Essa é única missão coordenada pelo Brasil. A operação, chamada Minustah, começou em 2004 com a proposta de auxiliar na estabilização do Haiti e atuar como força policial. Hoje, depois do terremoto que atingiu o país há um mês, a missão passa a ter um caráter ainda mais humanitário.“A ONU tem entre seus propósitos manter a paz em seu sentido mais amplo. E esse é o objetivo das missões de paz. Quando essas operações tiveram início, na década de 50, sobretudo no período da Guerra Fria, tropas eram mantidas em zonas de conflito, em geral depois do cessar-fogo, para garantir a manutenção da paz. Nesse caso, a função das tropas era, de forma imparcial e com o consentimento das partes envolvidas, manter as partes conflitantes separadas fisicamente. Com o fim da Guerra Fria, as operações passaram a ser mais abrangentes, a fim de construir a paz. É assim nossa missão no Haiti”, diz Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores. Lafer explica que o Haiti não ameaça a paz internacional, mas ainda assim precisa da presença de militares que atuem na reconstrução do país, de forma multidisciplinar.
“A ideia é trabalharmos em uma atuação de natureza humanitária, principalmente depois da ocorrência do terremoto”, afirma o ex-ministro brasileiro.

Coronel revela dificuldades em missões
Brasília - Para quem atua em uma missão de paz, as dificuldades da rotina em um país em conflito são as mais diversas. Foi assim com o tenente-coronel Nelson Santana da Silva, comandante do 8º Batalhão de Polícia do Exército, de São Paulo. Silva cumpriu missão no Timor pelo 4º Batalhão de Polícia do Exército, de Olinda, durante seis meses. “Foi uma missão de tropa de Polícia do Exército. Ficamos lá de agosto de 2001 a janeiro de 2002. Nós fomos o quinto contingente brasileiro a atuar no Timor”, diz.Silva era capitão e durante a missão foi promovido a major. Ele comandava a tropa de Polícia do Exército da Força de Manutenção da Paz. “A nossa companhia cumpria as missões de polícia voltadas especialmente para os militares e civis da ONU. Fazíamos escolta de comboios, escolta de autoridades, revista de pessoal, perícia criminal, escolta e custódia de presos, patrulhamento ostensivo, entre outras coisas”. Essas, no entanto, eram as funções oficiais da equipe. “Extraoficialmente nós ainda reconstruímos uma escola e auxiliamos com apoio de saúde um ‘orfanato’ de crianças abandonadas pelas mães”, conta. O objetivo específico da missão no Timor é a manutenção da disciplina entre os militares que operam no país, mas, para o coronel, os meses longe da família representaram mais do que o cumprimento de tarefas.O maior desafio para Silva foi a distância da família e do Brasil. “Quando conseguíamos contato telefônico era o júbilo. Quando recebíamos correspondências ou conseguíamos uma vídeoconferência era a glória. Nós nos apegávamos aos filmes, à música e à culinária de corpo e alma”, diz.

Entidades de manutenção da paz
Brasília - A Minustah é uma das 11 missões com participação brasileira sob a proteção da ONU. Outra três missões, essas de desminagem humanitária, são realizadas sob a égide da Organização dos Estados Americanos (OEA). De acordo com especialistas, a única diferença entre as entidades é o fato de a primeira ter caráter mundial, enquanto a segunda é regional.
“A OEA, criada em 1948, três anos depois da criação da ONU, tem também o objetivo de auxiliar na manutenção da paz, mas de forma regional, nas Américas. A existência da OEA torna mais fácil a mobilização porque envolve países afins, com proximidade geográfica e histórica”, afirma um oficial do Exército.
De acordo com o Exército, as missões da OEA e da ONU têm diferenças operacionais. Enquanto que as da primeira destinam-se à preparação de pessoal especializado em trabalhos de desminagem, supervisionando a limpeza de áreas minadas, as missões da ONU estão relacionados à manutenção da paz e a segurança, assistência e monitoração de processos políticos, treinamento de policiais e desarme e reintegração de ex-combatentes.

Coronel revela dificuldades em missões
Brasília - Para quem atua em uma missão de paz, as dificuldades da rotina em um país em conflito são as mais diversas. Foi assim com o tenente-coronel Nelson Santana da Silva, comandante do 8º Batalhão de Polícia do Exército, de São Paulo. Silva cumpriu missão no Timor pelo 4º Batalhão de Polícia do Exército, de Olinda, durante seis meses. “Foi uma missão de tropa de Polícia do Exército. Ficamos lá de agosto de 2001 a janeiro de 2002. Nós fomos o quinto contingente brasileiro a atuar no Timor”, diz.Silva era capitão e durante a missão foi promovido a major. Ele comandava a tropa de Polícia do Exército da Força de Manutenção da Paz. “A nossa companhia cumpria as missões de polícia voltadas especialmente para os militares e civis da ONU. Fazíamos escolta de comboios, escolta de autoridades, revista de pessoal, perícia criminal, escolta e custódia de presos, patrulhamento ostensivo, entre outras coisas”. Essas, no entanto, eram as funções oficiais da equipe. “Extraoficialmente nós ainda reconstruímos uma escola e auxiliamos com apoio de saúde um ‘orfanato’ de crianças abandonadas pelas mães”, conta. O objetivo específico da missão no Timor é a manutenção da disciplina entre os militares que operam no país, mas, para o coronel, os meses longe da família representaram mais do que o cumprimento de tarefas.O maior desafio para Silva foi a distância da família e do Brasil. “Quando conseguíamos contato telefônico era o júbilo. Quando recebíamos correspondências ou conseguíamos uma vídeoconferência era a glória. Nós nos apegávamos aos filmes, à música e à culinária de corpo e alma”, diz.

Países onde o Exército Brasileiro comanda as missões de paz
HAITI – O Brasil lidera a missão de paz desde 2004. O objetivo da ação é intensificar os esforços para estabelecer a paz, assegurar a ordem, desarmar as milícias rebeldes e garantir a restauração do estado democrático.
NICARÁGUA – A missão de assistência à remoção de minas terrestres na América central opera atualmente na Nicarágua, sob a proteção da OEA A ação prepara pessoa especializado em desminagem, supervisionando a limpeza de áreas minadas.
PERU - A missão de assistência à remoção de minas terrestres na América central foi criada em 2003, para oferecer tanto ao Peru quanto ao Equador treinamento assessoria técnica e monitoria das atividades para a certificação de que as operações de limpeza de minas sejam realizadas de acordo com as normas internacionais.
COLÔMBIA – A missão do grupo de monitores internacionais da missão de assistência da OEA ao plano nacional de desminagem realiza a preparação de pessoal especializado em trabalhos de desminagem em área minadas.
SAARA OCIDENTAL – Monitora o cessar-fogo e organiza e realiza um referendo em que o povo terá a oportunidade de decidir o futuro estatuto do território.
GUINÉ BISSAU – O Escritório integrado da ONU para a construção da paz no país, pretende assistir a comissão de consolidação da paz em seu engajamento multidimensional com a Guiné; e reforçar a capacidade das instituições nacionais, entre outras coisas.
LIBÉRIA – A missão de paz da ONU no país foi instituída em 2003, para apoiar a implementação do cessar-fogo e o processo de paz; proteger o pessoal e as instalações da ONU no país e proteger a população civil de agressões.
ÁFRICA OCIDENTAL – O escritório da ONU pretende reforçaras ligações entre a ONU e outros parceiros subregionais da região; reforçar os esforços para resolução de questões fronteiriças.
COSTA DO MARFIM – As operações da ONU no país foram criadas em 2004, porque o é considerado uma ameaça a paz internacional na região; o objetivo do EB é monitorar o cessar-fogo e evitar a deflagração de guerra.
CHIPRE – A força de manutenção da paz foi criada para evitar uma luta prolongada entre as comunidades gregas cipriota e turca. A missão está na ilha para supervisionar as orientações de cessar-fogo.
SUDÃO – A missão da ONU no país apóia a implementação do acordo de paz entre o governo local e o Movimento e Exército de Libertação do Povo Sudanês.
CHADE – A missão da ONU sob o comanda do EB a ajuda a criar condições de segurança necessárias ao regresso voluntário, seguro e sustentável dos refugiados.
NEPAL – A missão no país é uma ação destinada a apoiar o processo de paz no Nepal e prestar auxílio no monitoração do acordo de cessar-fogo.
TIMOR – A missão pretende apoiar o governo e as instituições especiais, com vista a consolidação da democracia, permitindo assim o diálogo entre as partes interessadas.