Lula defende Jucá e diz que não vai trocar sua equipe

LULA disse que existem apenas insinuações em torno do caso

O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva defen
deu ontem, em São Paulo, de forma enfática, o ministro da Previdência Social, Romero Jucá, envolvido em denúncias de corrupção. “Eu não posso tirar ou colocar ministro em função desta ou daquela manchete de jornal”, afirmou.
Na defesa que fez de Jucá, Lula disse que, por enquanto, existem “muitas insinuações” a esse respeito. Ele destacou: “Eu acho que quem é político sabe o que significam insinuações, do tipo ‘eu acho e eu penso’. Mas é preciso que haja coisas concretas.” Lula assegurou que, por enquanto, o ministro da Previdência Social cumpre “muito bem” a missão. De acordo com o presidente, uma dessas funções é “dizimar e acabar, de uma vez por todas”, com as quadrilhas que atuam no País. “Se quisermos salvar a Previdência, teremos de tomar atitudes duras, que o ministro Romero Jucá está tomando em comum acordo com o conjunto do governo”, complementou.
Lula disse também que o trabalho do ministro da Previdência tem a finalidade de assegurar a todos os cidadãos que têm o direito à proteção o recebimento dos benefícios.

Taxa de juros deverá ser mantida em 19,25%
Se depender da expectativa da maior parte dos economistas e analistas do mercado financeiro, o Conselho de Política Monetária (Copom) manterá a taxa básica de juros (Selic) inalterada em 19,25% na reunião que terá início hoje. Os cinco maiores bancos - Bradesco, Itaú, Unibanco, Santander e ABN Amro - apostam na manutenção da taxa. De 54 analistas ouvidos , 38 esperam estabilidade, 11 prevêem mais uma alta de 0,11 ponto porcentual e cinco, uma elevação de 0,50 ponto.
Para o economista João Marcus Nunes, da corretora Ágora Senior, o Copom manterá a Selic inalterada porque a elevação dos juros “está se mostrando extremamente ineficiente” para alcançar o principal objetivo, que é o controle das expectativas de inflação. “Os juros estão subindo há sete meses e ainda assim as expectativas de inflação sobem toda semana”, disse.
O ex-diretor de política monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, também aposta na manutenção com o argumento que “os efeitos dos juros sobre a economia real já estão acontecendo”. Ele lembra que os dados da economia real, especialmente do desempenho da indústria e do comércio em fevereiro, que mostraram perda de ritmo de crescimento, confirmam que a atividade econômica já está fraca.
Outro argumento de Thadeu de Freitas para justificar a manutenção dos juros é que, ainda que exista um “ruído de expectativa” de alta da Selic no mercado financeiro, por causa dos efeitos do choque de oferta na inflação, o BC já deixou claro na última ata do Copom que está olhando para a inflação em 12 meses.
Desse modo, ainda que a meta de IPCA de 5,1% para 2005 “seja impossível” de ser alcançada, o patamar de inflação nos próximos 12 meses “é razoável, em torno de 6%” e permite a manutenção dos juros. Para o economista, uma nova elevação da Selic “já não adiantaria nada para a inflação deste ano e jogaria a atividade econômica ainda mais para baixo”.