Defasagem
nos honorários leva médicos a
descredenciamento dos planos de saúde
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Nos últimos onze anos, as operadoras de saúde elevaram
em 136,65% os valores das mensalidades para os usuários enquanto
os médicos receberam, em média, somente 60% de reajuste
nos honorários. No mesmo período, a inflação
acumulada foi de 105%. A questão do trabalho médico na
saúde suplementar será um dos temas do XII Encontro Nacional
das Entidades Médicas (ENEM), que acontece de 28 a 30 de julho,
em Brasília
Os baixos valores dos honorários médicos pagos pelas operadoras
de planos de saúde vêm causando uma enorme polêmica
e provocando debates entre os representantes da categoria médica
de todo o país. As empresas insistirem em não conceder
aumentos reais nos valores dos procedimentos que fazem parte da rotina
dos consultórios dos médicos que prestam serviços
às empresas da área de saúde suplementar. Para
se ter uma idéia, nos últimos onze anos, as operadoras
de saúde elevaram em 136,65% os valores das mensalidades para
os usuários enquanto os médicos receberam, em média,
somente 60% de reajuste nos honorários. No mesmo período,
a inflação acumulada foi de 105%.
O problema se torna ainda mais grave quando a atividade profissional
do médico é comparada à de outros profissionais.
Obstetras de São Paulo, por exemplo, fizeram uma comparação
entre o que recebem pela realização de um parto e o que
ganha o profissional que filma esse parto. O obstetra recebe R$ 200
enquanto quem está filmando o procedimento ganha R$ 1.000.
O problema é tão grave que já levou, inclusive,
profissional de especialidades como pediatria, urologia, anestesiologia
e ortopedia, entre outras, a se mobilizarem no sentido de pedir até
mesmo o descredenciamento em massa dos planos e seguros de saúde
em estados como São Paulo, Acre, Alagoas, Rondônia e o
Distrito Federal. Muitos também já fecharam consultórios
por não suportarem as despesas que crescem em proporção
muito maior ao reajuste de honorários.
E o prejuízo não é somente dos médicos;
é também dos usuários, pois com todos esses problemas,
a qualidade no atendimento foi significativamente comprometida. Em determinadas
especialidades como car-diologia, por exemplo, usuários chegam
a esperar até três meses por uma consulta.
ENEM
A questão do trabalho médico na saúde suplementar
foi será um dos temas do XII Encontro Nacional das Entidades
Médicas (ENEM), que acontece de 28 a 30 de julho, em Bra-sília.
Durante o ENEM, além dos honorários defasados, os médicos
também discutirão a interferência cada vez maior
dos planos de saúde no exercício profissional, com restrições
de atendimento, descredencia-mento unilateral, imposição
de "pacotes" com valores pré-fixados e proposta de
pagamento por "performance", entre outras medidas que penalizam
os médicos e prejudicam os usuários. O evento contará
com a participação de cerca de 500 representantes de entidades
médicas de todo o país.
O encontro será realizado em um momento importante de avaliação
das políticas públicas de saúde e também
do contexto no qual se insere hoje a prática da medicina. No
final do encontro, que é organizado pela Associação
Médica Brasileira (AMB), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)
e pela Federação Nacional dos Médicos (FENAM),
os participantes irão elaborar um documento, intitulado Carta
de Bra-sília, que será encaminhado aos médicos,
à sociedade, às autoridades e aos candidatos aos cargos
majoritários nas próximas eleições. Os três
presidenciáveis que lideram as pesquisas de opinião -
Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva - foram convidados
a visitar o local das reuniões, na sede da Associação
Médica de Brasília (AMBr), para apresentar suas plataformas
para o setor de saúde.
CONSULTA DIMINUI, RECEITA DAS PERADORAS AUMENTA
Em 2009, o valor médio da consulta em plano de saúde individual
foi de R$ 38,93. O montante é ainda menor que o custo de 2008
(R$ 40,39). Enquanto o valor da consulta médica diminuiu, no
mesmo período a receita das operadoras médico-hospitalares
cresceu 8,1%, sendo que o fatura-mento registrado pelos planos de saúde
no ano passado ficou em R$ 63,9 bilhões.
Em março de 2010 foram contabilizados 43,2 milhões de
brasileiros vinculados a 1.195 operadoras de planos privados de assistência
médica. Os médicos foram responsáveis, em 2009,
por acompanhar mais de 4,7 milhões de internações
de usuários de planos de saúde e realizaram mais de 223
milhões de consultas dessa população usuária
da saúde suplementar.
MERCADO CRESCENTE
Cerca de um quinto da população brasileira já é
conve-niado a planos de saúde. O mercado cresce ano a ano no
país, tanto em relação ao número total de
clientes, quanto em relação ao faturamento. Os planos
de saúde têm distribuição muito desigual,
seja pela localização geográfica ou pela quantidade
de assistidos. Metade dos usuários concentra-se em apenas 40
operadoras, e cerca de 70% dos clientes de planos de saúde estão
na região Sudeste. Apenas três municípios - São
Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte concentram cerca de 30% da população
conveniada a planos de saúde.
PROJETO DE LEI PREVÊ REAJUSTE ANUAL
A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados
aprovou por unanimidade, em junho, o Projeto de Lei 6.964/10, oriundo
do Senado, que torna obrigatória a formalização
de contratos entre as operadoras de planos de saúde e pres-tadores
de serviço, inclusive os médicos. Um dos objetivos da
proposta é evitar descredencia-mentos unilaterais e imotivados
de médicos, hospitais e laboratórios. O mais relevante,
porém, é a definição da periodicidade anual
do reajuste a ser repassado pelos planos de saúde aos honorários
médicos, no prazo de 90 dias após o início de cada
ano. O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será
analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
REAJUSTES PERIÓDICOS
O Ministério Público do Trabalho de Brasília intermediou
negociação que visa garantir reajustes periódicos
nos valores de todos os procedimentos pagos pelos planos de saúde,
ou seja, aumento dos honorários cada vez que as empresas elevarem
os valores dos planos aos usuários, mas ainda não há
definição quanto a isso.
RELAÇÃO EQUILIBRADA
Os médicos defendem uma relação mais equilibrada
entre prestadores de serviço e usuários das operadoras
de planos de saúde e querem que a Agência Nacional de Saúde
Suplementar analise também a questão dos usuários
no que se refere à qualidade nos serviços, que está
comprometida. Nesse sentido, a ANS criou um grupo de trabalho para discutir
a questão dos honorários médicos, o que vem sendo
reivindicado há cinco anos pelas três entidades médicas
nacionais. O grupo conta com representantes da FENAM, AMB e do CFM,
e, segundo a ANS, visa debater critérios técnicos a serem
adotados na hierarquização dos procedimentos médicos,
tomando como base a Classificação Brasileira Hierarquizada
de Procedimentos Médicos (CBHPM), bem como a discutir critérios
de reajuste para a recomposição do ganho médico.
Representantes dos médicos e das operadoras de planos de saúde
têm prazo inicial de seis meses para que possam chegar a um consenso
em termos de periodicidade e índice de reajuste nos honorários.
Fonte:
Conselho Federal de medicina
MEDICINA
A primeira turma do curso de Medicina da Faculdade NOVAFAPI cola grau
no próximo dia 5 de agosto. Comprovando seu pioneirismo em oferecer
um ensino de qualidade, a NOVAFAPI é a primeira instituição
particular do Piauí a formar uma turma do curso de Medicina.
CONGRESSO
O Diretor do Laboratório Bioanáse Dr. Daviv Valentim,
encontra-se participando do Congresso Anual 2010 AACC e Laboratório
Clínico EXPO na cidade de ANAHEIN na Califórnia. São
mais de 650 expositores ocupando mais de 1.800 estandes com novas tecnologias
de diagnóstico clínico, automação, sistema
de informação e de biotecnologia.