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Despedida
(*)
Washington Moura
Despedir-se
pode ser um
ato irreversível consequente
das tramas do destino e/ou
das relações humanas.
Em algum
momento de nossas vidas temos que nos despedir, seja temporariamente ou
por definitivo. A despedida, mesmo sintetizada em poucas palavras, forma
um abismo dentro de nossa alma. Se despedir é esperar a volta da
pessoa querida algum dia, nesta vida ou em outras.
O dia amanhece e bem cedo é hora de partir. As malas já
estão arrumadas e o sentimento da despedida já ronda a casa.
O "até breve" serve de consolo para uma partida de longos
anos. E a esperança de retorno manifesta-se nos mais simples gestos,
num aperto de mão ou num abraço aconchegante.
As horas passam e aumenta o desejo de ver o instante da despedida cada
vez mais distante, nos levando a pensar positivo, a procurar algum consolo.
A ânsia de pedir que a pessoa fique nos empalidece, afinal, a partida
é iminente e não adianta usar palavras para tentar reverter
à situação. O que resta é fazer da saudade
uma companheira, uma amiga.
A despedida pode se manifestar de várias maneiras. No amor, por
exemplo, num relacionamento duradouro ou não, o ato de se despedir
deixa marcas profundas, capaz de até penetrar na estrutura de nossa
personalidade. A pessoa nunca aprende a lidar com aqueles breves momentos
de despedida. A vontade de sempre estar ao lado da pessoa amada vai sondar
nosso "eu" por longos dias, mesmo que conheçamos outro
alguém. Resquícios, e não feridas, nos farão
lembrar de momentos felizes nos quais nunca sonhamos ter que dar um adeus.
Por isso, mesmo nas mais irrisórias despedidas, ao sair de casa,
nas breves viagens, devemos reconhecer o quanto gostamos (para os enamorados)
da pessoa amada, o quanto somos felizes por termos pais maravilhosos,
irmãos exemplares e amigos fiéis. A despedida deve ser percebida
com receio. Podemos olhá-lha ou mesmo vivenciá-la tendo
a permanente consciência que um "até logo", um
adeus, pode ser irreversível.
(*) Washington Moura é jornalista graduado pela
Universidade Federal do Piauí
Sangria
desatada
(*)
Rui Azevedo
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a corrupção no Brasil é impossível enquanto
houver o escaldo da cultura herdada de nossos colonizadores, que persistirá
até que o último resquício genético seja banido.
Quando Caminha escreveu ao Rei de Portugal dando notícias do celeiro-Brasil,
ele aproveitou o ensejo e solicitou a clemência de sua majestade
para um seu primo, assaltante de igrejas que estava confinado na ilha
de São Tomé. Naquela oportunidade, estabelecia-se o tráfico
de influência. Se D. Manoel atendeu, não sabemos, mas que
Caminha não deixou por menos, isso é verdade. A partir daquela
carta, instituía-se a primeira relação servil entre
o chefe e o sbordinado, sob o sol causticante da enorme poção
geográfica a ser desbravada e dominada pelo sentimento usurário
da coroa portuguesa. Era o início da prática da lei de Gerson
(o jogador) - se era possível tirar vantagem daquela situação,
por que não fazê-lo?
Sendo Caminha, um dos chefes da expedição globalizante da
época, julgou na certa, não ser nada de mais introduzir
o nepotismo no além-mar. Para que as duas sementes prosperassem,
o tráfico de influência e o nepotismo, com uma terceira,
não precisava se preocupar, pois a galera degredada que aqui aportava,
cuidaria de disseminar a prática do roubo, afinal boa parte dela
se constituía de bandidos condenados pela lusa justiça.
O tripé da corrupção germinou e proliferou de forma
tal que hoje a maioria dos 190 milhões de brasileiros está
atônita e sem saber em quem acreditar. Parlamentares, ministros,
juizes, governadores, prefeitos, vereadores e até presidentes da
república, atravessam décadas capitaneando a vergonha nacional.
Como se não bastasse, temos ainda de suportar uma outra praga que
além de nos sugar o sangue, provoca-nos instintos perversos - o
sistema financeiro nacional. Se por um lado o governo nos solapa em impostos,
quase 37% do que produzimos, por outro, as instituições
financeiras, com a proteção da Lei e dos governos, fazem
um arremate usurpando-nos o que resta, se é que resta. Se alguém
duvida, utilize o cheque especial ou um cartão de crédito.
Alegam as instituições financeiras que o risco de perda
é grande e calculam o que elas chamam de spead levando em conta
a inadimplência. Argumento falacioso! O brasileiro paga bem. Claro
que existem os caloteiros, mas estes são facilmente identificados
pelas estruturas, tipo Serasa, Cadin, etc. Se o argumento fosse verdadeiro,
os bancos não teriam os lucros fabulosos que aumentam e se acumulam
a cada semestre, nem reduziram os juros em mais da metade, quando forçados
a uma renegociação da dívida de seus clientes.
Para o povo brasileiro, fica difícil entender e acreditar no renascimento
da esperança, haja vista que o pulsar de nossas veias, aos poucos
vai perdendo força, não só pela falta do san-gue(vergonha)
que escoa pela sangria, mas pela falta crescente do pão que deveria
alimentar mais de 40 milhões de brasileiros que vivem abaixo da
linha da pobreza e são forçados a desatar o nó que
segura o avanço da barbárie.
(*) Rui Azevedo é professor.
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