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O
fato bem conhecido de que a musculação pode induzir
grande aumento de pressão arterial, e a imagem de um
levantador de peso realizando uma prova com carga máxima,
talvez explique o conceito que muitos profissionais de saúde
ainda têm no sentido de que a musculação
seria uma atividade de alto risco cardiovascular. No entanto,
a baixa incidência de acidentes cardiovasculares na musculação,
e o melhor conhecimento da fisiologia desta modalidade vieram
trazer mais tranqüilidade para os profissionais atualizados.
Nos exercícios aeróbios, a freqüência
cardíaca e a pressão arterial aumentam paralelamente
com a intensidade do esforço, justificando a indicação
dessa forma de atividade física em intensidade baixa
para pessoas debilitadas ou sedentárias. Como os exercícios
contínuos em intensidades baixas ocorrem em metabolismo
aeróbio, criou-se a hábito de afirmar que os exercícios
aeróbios são os mais seguros. Todavia, esta afirmação
não vale para os exercícios interrompidos como
a musculação. Neste tipo de atividade, o caráter
localizado da contração muscular determina intensidades
relativamente altas de esforço com metabolismo energético
predominante anaeróbio, mas com demanda cardiovascular
geralmente discreta. A pressão arterial sobe sempre um
pouco mais do que nos exercícios contínuos, mas
geralmente dentro dos limites de tolerância. Apenas com
a ocorrência de cargas máximas que levem à
apnéia (respiração bloqueada) e isometria
(sustentação do peso sem movimento), ocorrem grandes
aumentos de pressão arterial. Normalmente os exercícios
com pesos para não atletas são realizados de maneira
isotônica, sem apnéia importante e interrompidos
antes da isometria. Por outro lado, as repetições
baixas que normalmente são utilizadas no treinamento
com pesos produzem discretas aumento de freqüência
cardíaca. Além disto, os intervalos para descanso
muscular entre as séries fazem com que a freqüência
cardíaca volte quase aos níveis de repouso antes
de novo esforço.
Em resumo, a musculação para não atletas
produz aumento um pouco maior da pressão arterial em
relação aos exercícios contínuos,
mas um aumento de freqüência cardíaca muito
menor. Assim sendo, o Duplo-Produto dos exercícios com
pesos costuma ser baixo, já tendo sido demonstrado que
caminhar rápido em plano levemente inclinado produz maior
sobrecarga cardiovascular do que o treinamento com pesos utilizando
80 % de carga máxima.
Um erro freqüente é imaginar que pesos leves são
mais seguros. Com pesos mais leves se fazem mais repetições,
o que aumenta a freqüência cardíaca e a pressão
arterial, e além disto se ao final da série ocorrer
isometria e apnéia, a pressão arterial aumentará
mais do aumentaria com mais peso e menos repetições.
Em todo o mundo, a maioria dos pesquisadores que estudam os
efeitos dos exercícios com pesos em pessoas maduras estão
utilizando cerca de 80 % de carga máxima, para repetições
entre seis e oito, evidentemente sem isometria e sem apnéia.
Apenas para referência, útil para pessoas que não
têm familiaridade com o treinamento com pesos, este nível
de carga no exercício de "leg press" pode significar
cerca de 50 quilos para pessoas idosas.
Numerosos trabalhos têm documentado a segurança
músculo-esquelética e cardiovascular do treinamento
com pesos não apenas para pessoas sadias mas também
para pessoas debilitadas e que apresentam doenças. Esses
conhecimentos associados aos importantes efeitos da musculação
no aumento de massa óssea, aumento da massa muscular
e aumento da mobilidade articular, têm levado à
utilização cada vez maior desses exercícios
em programas de reabilitação de grupos especiais.
DEMÓSTENES RIBEIRO CREF/PI 00029