Saúde
(*)Demóstenes Ribeiro é professor de Educação Física - CREF/PI 00029

Movimentar-se diminui risco cardíaco

Atividades em grupo são as mais indicadas, afirma professor Demóstenes

(*) DEMÓSTENES RIBEIRO


As mudanças ocorridas no mundo e nos organismos humanos não aconteceram nas mesmas proporções. Ou seja, o mundo sofreu mudanças bruscas, enquanto que, fisiologicamente, as alterações orgânicas são discretas. E o preço pago por esse tipo de situação são os altos índices de ocorrência das doenças cardiovasculares, distúrbios relacionados ao descompasso entre desenvolvimento tecnológico e evolução da estrutura corporal.
Por um lado houve aumento da média de vida, por outro se ampliou à exposição a fatores nocivos ao organismo, afinal o processo trouxe alimentos mais gordurosos, o tabagismo e a tendência ao sedentarismo, adversários de um perfeito funcionamento do coração.
Segundo especialistas, o homem aumentou muito a sua media de sobrevivência. O cardiologista Gilson Feitosa, coordenador da resistência médica em cardiologia do hospital Santa Isabel, afirma que esse aumento permitiu que as pessoas se expusessem por mais tempo às condições ambientais que determinam o acontecimento de doenças cardíacas. No inicio do século XX, a sobrevivência média era em torno de 40 anos. Atualmente, está acima dos 70 anos. No Brasil, fica em torno de 67 e, em alguns países da Europa, supera a marca dos 80.
A industrialização trouxe consigo alguns hábitos ruins, como o sedentarismo. O aumento, por exemplo, contribuiu para a desmotivação em relação à prática de atividade física. Por outro lado, com a necessidade de alimentar um maior número de pessoas, o alimento foi industrializado; surgiu à necessidade de conservá-lo, o sal passou a ser usado em grande quantidade e houve um aumento do consumo de gorduras animais. Tudo isso, associado à obesidade, concorreu para o aumento das doenças cardiovasculares.
Em trabalhos já feitos é notável que a mudança de hábitos nocivos à saúde é diretamente proporcional ao grau de escolaridade que a pessoa tem. A escolaridade é o elemento que mais se associa á mudanças de hábitos ruins para hábitos bons o que reforça, claramente, a idéia de que educação e informações são caminhos mais adequados para as pessoas se beneficiem com a promoção da saúde.
O tratamento da hipertensão é um dos exemplos dessa dificuldade. Quando é necessária a adoção de medicamento, um numero significativo de pacientes não obedece a esta regra. O problema é que este distúrbio é uma doença que nem sempre apresenta sintomas, o que pode agravar as suas conseqüências.
O ponto positivo é que os medicamentos modernos são mais fáceis de serem usados do que os antigos, porque, na maioria das vezes, eles são próprios para uma ingestão ao dia. Em vez dos antigos que tinham de ser ingeridos mais vezes, o que dificultava a adesão ao tratamento. Além do mais, os medicamentos modernos são aperfeiçoados e melhor tolerados. Mas, mesmo assim, a obrigatoriedade de uso permanente do medicamento, durante um longo período de tratamento é um desafio.
Para quem imagina que as doenças cardiovasculares são ameaças apenas para os idosos, os cardiologistas advertem que, embora os integrantes deste grupo sejam os mais atingidos, elas ocorrem em qualquer idade. Existem relatos na literatura de doenças cardíacas até em recém-nascidos.
A principal ação para mudar os alarmantes índices de problemas cardiovasculares é a mudança de estilo de vida. É estimular as pessoas a se movimentarem, seja das formas mais simples como ir a um supermercado, ou em programas de condicionamento complexos. Dados do CELAFISCS (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul) comprovaram que 70% do padrão de saúde de uma população depende do quanto as pessoas se movimentam. Apesar de toda a comodidade proporcionada pelo avanço tecnológico, a orientação de especialistas é de movimentar-se pelo o menos 30 minutos diários, de forma contínua ou não.

 



 

(*) DEMÓSTENES RIBEIRO CREF/PI 00029 - gerontologista e educador Físico