Saúde
(*)Demóstenes Ribeiro é professor de Educação Física - CREF/PI 00029

Musculação não oferece riscos para o idoso

Professor Demóstenes afirma que musculação é eficiente e segura

(*) DEMÓSTENES RIBEIRO

Normalmente nos programas convencionais de condicionamento para idosos são hipervalorizados as atividades aeróbias, quando na realidade, para uma boa saúde e qualidade de vida depende também da melhoria de força muscular, flexibilidade, coordenação motora e equilíbrio.
Numa analise das atividades do cotidiano de uma pessoa idosa, constata-se que 95% dessas ações requerem como qualidade física a força muscular, como nos exemplos: subir um lance de escadas, sentar e levantar, trazer uma sacola do supermercado, sustentar o netinho no braço. Até mesmo para uma simples caminhada com o intuito de prevenir doenças do sistema cardiovascular, o idoso necessita de um certo nível de força e resistência muscular no quadríceps (frente da coxa) para que a atividade seja segura do ponto de vista musculo-esqueletica. E se por ventura este idoso estiver com o peso acima da média (e normalmente está), mais importante ainda seria o fortalecimento muscular antes do engajamento num programa de caminhada. A musculação também aumenta o suporte de carga em outras estruturas como: tendões, articulações, ligamentos e fáscías musculares. Dessa forma, se mantem preservado a integridade do aparelho locomotor.
Através de exames clínicos específicos como a tomografia computadorizada constata-se que após os 30 anos de idade ocorre uma redução na área de seccção transversa da fibra muscular, diminuição da intensidade muscular e aumento da gordura intra-muscular. Esta hipotrofia (diminuição do tônus muscular) ocorre pela atrofia seletiva das fibras de força, que são os tipos de fibras mais solicitadas nos trabalhos com pesos. Como normalmente os idosos não praticam exercícios com sobrecarga, estas fibras diminuem de volume e inicia-se o um processo de peso de intervenção, culminando com a perda de força a tal ponto que, se por ventura, numa situação de desequilibro tornar-se muito difícil segurar-se em algo para evitar uma queda.
O gasto metabólico de repouso, é a quantidade de caloria que o organismo consome pra nos manter vivos. Este é responsável por 55 a 60% do gasto calórico diário. Quanto mais força e resistência muscular, mais elevado é o metabolismo de repouso. Como normalmente o idoso tem pouca massa muscular, tem também baixo metabolismo de repouso; e isso os predispõem a maior quantidade de gordura corporal e consequentemente maior risco cardíaco.
O insignificante numero de idosos engajados em programas de condicionamento total, do qual faz parte o trabalho muscular, deve-se ao atrelamento a conceitos já ultrapassados da classe médica. Os médicos entendem (de forma equivocada)Conceitos estes formados principalmente pela classe médica. Ainda acha-se que os exercicos resistidos são traumáticos e provocam elevadíssimos níveis de pressão arterial.
Num trabalho de reabilitação de força é utilizados aparelhos projetados biomecani-camente, com varias graduações e comodidades para adequar a cada cliente com segurança. Como por exemplo, o leg press, que é um aparelho apara aprimoramento de força dos membros inferiores, que podemos iniciar o trabalho com uma sobrecarga menor que o próprio corporal do idoso, mais seguro do que uma caminhada, onde o mesmo tem que transportar seu peso total e com um agravante, que é o risco de queda e consequentemente fratura. Uma opção segura num caso com esse, seria aparte cardiovascular trabalhada na hidroginástica.
Quando à segurança cardiovascular, vários trabalhos validados cientificamente mostram que a resistência proporcionada pelos exercícios resistidos não é suficiente para elevar a pressão arterial duplo produto a nível perigoso, segundo Pollock et all 2000, McCartney et all 1993, Powers & Holey 1977 etc.
Enfim o sedentarismo é muito mais perigoso e danoso a saúde do que um eventual risco proporcionado pelo exercício físico.
Estes são posicionamentos oficiais da ACLON(Academia Científica da Longevidade), que é filiada à ABMAE (Associação Brasileira de Medicina Anti
-envelhecimento e Sociedade Brasileira de Gerontologia).


 

(*) DEMÓSTENES RIBEIRO CREF/PI 00029 - gerontologista e educador Físico