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Atividades em grupo são as mais indicadas, afirma
professor Demóstenes
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DEMÓSTENES RIBEIRO
As mudanças ocorridas no mundo e nos organismos humanos
não aconteceram nas mesmas proporções.
Ou seja, o mundo sofreu mudanças bruscas, enquanto que,
fisiologicamente, as alterações orgânicas
são discretas. E o preço pago por esse tipo de
situação são os altos índices de
ocorrência das doenças cardiovasculares, distúrbios
relacionados ao descompasso entre desenvolvimento tecnológico
e evolução da estrutura corporal.
Por um lado houve aumento da média de vida, por outro
se ampliou à exposição a fatores nocivos
ao organismo, afinal o processo trouxe alimentos mais gordurosos,
o tabagismo e a tendência ao sedentarismo, adversários
de um perfeito funcionamento do coração.
Segundo especialistas, o homem aumentou muito a sua media de
sobrevivência. O cardiologista Gilson Feitosa, coordenador
da resistência médica em cardiologia do hospital
Santa Isabel, afirma que esse aumento permitiu que as pessoas
se expusessem por mais tempo às condições
ambientais que determinam o acontecimento de doenças
cardíacas. No inicio do século XX, a sobrevivência
média era em torno de 40 anos. Atualmente, está
acima dos 70 anos. No Brasil, fica em torno de 67 e, em alguns
países da Europa, supera a marca dos 80.
A industrialização trouxe consigo alguns hábitos
ruins, como o sedentarismo. O aumento, por exemplo, contribuiu
para a desmotivação em relação à
prática de atividade física. Por outro lado, com
a necessidade de alimentar um maior número de pessoas,
o alimento foi industrializado; surgiu à necessidade
de conservá-lo, o sal passou a ser usado em grande quantidade
e houve um aumento do consumo de gorduras animais. Tudo isso,
associado à obesidade, concorreu para o aumento das doenças
cardiovasculares.
Em trabalhos já feitos é notável que a
mudança de hábitos nocivos à saúde
é diretamente proporcional ao grau de escolaridade que
a pessoa tem. A escolaridade é o elemento que mais se
associa á mudanças de hábitos ruins para
hábitos bons o que reforça, claramente, a idéia
de que educação e informações são
caminhos mais adequados para as pessoas se beneficiem com a
promoção da saúde.
O tratamento da hipertensão é um dos exemplos
dessa dificuldade. Quando é necessária a adoção
de medicamento, um numero significativo de pacientes não
obedece a esta regra. O problema é que este distúrbio
é uma doença que nem sempre apresenta sintomas,
o que pode agravar as suas conseqüências.
O ponto positivo é que os medicamentos modernos são
mais fáceis de serem usados do que os antigos, porque,
na maioria das vezes, eles são próprios para uma
ingestão ao dia. Em vez dos antigos que tinham de ser
ingeridos mais vezes, o que dificultava a adesão ao tratamento.
Além do mais, os medicamentos modernos são aperfeiçoados
e melhor tolerados. Mas, mesmo assim, a obrigatoriedade de uso
permanente do medicamento, durante um longo período de
tratamento é um desafio.
Para quem imagina que as doenças cardiovasculares são
ameaças apenas para os idosos, os cardiologistas advertem
que, embora os integrantes deste grupo sejam os mais atingidos,
elas ocorrem em qualquer idade. Existem relatos na literatura
de doenças cardíacas até em recém-nascidos.
A principal ação para mudar os alarmantes índices
de problemas cardiovasculares é a mudança de estilo
de vida. É estimular as pessoas a se movimentarem, seja
das formas mais simples como ir a um supermercado, ou em programas
de condicionamento complexos. Dados do CELAFISCS (Centro de
Estudos do Laboratório de Aptidão Física
de São Caetano do Sul) comprovaram que 70% do padrão
de saúde de uma população depende do quanto
as pessoas se movimentam. Apesar de toda a comodidade proporcionada
pelo avanço tecnológico, a orientação
de especialistas é de movimentar-se pelo o menos 30 minutos
diários, de forma contínua ou não.
(*) DEMÓSTENES RIBEIRO CREF/PI 00029 -
gerontologista e educador Físico