Os coelhinhos de pascoa do PT
SÃO PAULO- Nos primeiros dias de abril de 64,
o “Comando Revolucionário”, chefiado por
Costa e Silva, já começando a montar o esquema político-militar em todo o País, mandou aqui para São Paulo, em um fim de semana, os majores Martinelli e Igrejas, líderes da “linha dura”, para exigirem do governador Ademar de Barros a derrubada total de seu secretariado e a nomeação de outros “de confiança”, verdadeira ocupação.
Ademar, vermelhão, gordo e matreiro, mais matreiro do que gordo, com sua voz anasalada, tentou uma saída: - Quer dizer, senhores majores, que é para trocar alguns auxiliares.
- Alguns, não, governador. Todos.
- Mas todos, como? Eles são revolucionários da primeira hora. Expuseram-se quando muita gente ainda estava em cima do muro. De quem é mesmo a recomendação?
- É do Alto Comando Revolucionário. E não é recomendação, é ordem.

Ademar
Ademar levantou-se, pediu água, cafezinho, voltou, mudou de assunto:
- Quanto os senhores ganham? A vida está cara, muito difícil, o Jango inflacionou tudo, os militares estão sacrificados, não é?
- Isso é problema nosso, governador. O assunto é outro.
Ademar puxou uma gaveta, tirou dois envelopes entupidos de notas de cem dólares, pôs na mesa e sorriu:
- Tudo bem, meus amigos. Vou ver como vou fazer para atender. Mas, posso dar-lhes um presentinho, uma lembrancinha?
Martinelli levantou-se vermelho, indignado, apoplético, aos gritos, e avançou para dar um murro no governador. Igrejas segurou-o e caiu numa gargalhada nervosa. Ademar passou a mão na barriga:
- Perdão, senhores, há um equívoco. Não estou querendo comprar ninguém. Será que a gente não pode mais nem dar um coelhinho de Páscoa? Era domingo de Páscoa. Com seus coelhinhos verdes ou sem eles, Ademar sustentou-se dois anos, até 5 de junho de 66, quando foi derrubado.

Dirceu
O PT oficial, o PT do governo, que se diz “Campo Majoritário”, com 60% do partido e 90% dos cargos, empregos e mordomias, reuniu-se no fim de semana no Rio para dar um balanço e ver quantos coelhinhos de Páscoa vai ter de distribuir para reeleger Genoíno em setembro e Lula em 2006.
A mesa diretora já mostrava a fraude federativa que é o PT: Genoíno, Dirceu, Palocci, secretário-geral, secretário de organização, de comunicação, etc, todos do PT de São Paulo. Por que foram fazer a reunião exatamente no Rio, cujo PT não existe para o governo Lula? Só para desdenhar, humilhar?
José Dirceu, o valentão, estava mais mofino do que gato com medo de água fria. Puxou o saco de Palocci e dos tucanos do Ministério da Fazenda o tempo todo. Achou pouco e bateu a carteira histórica de Fernando Henrique:
- “O PT não só apóia como reivindica (sic) a política econômica”.
Não só deglutiram a “herança maldita” como agora se dizem pais dela.

Trio
É o trio da enganação. Com esses três o país está frito: Genoíno promete, Dirceu negocia, Palocci não paga. O guarda-livros Palocci, tão tolo, gostou até de ler que o libertino Cícero “inspira o PT” e de ser comparado com ele. Se não conhece a história, deixa Cícero para Meirelles, Palocci.
Enquanto os três, e o resto, aplaudiam e se diziam pais e padrastos da política econômica do FMI, dos banqueiros, de Malan, aprovaram um texto que diz o contrário,só para tapear os outros 40% do partido, aliados, e o país:
- “Teremos que abrir o nosso próprio (sic) caminho. Isso implicará um enorme esforço para retomar (sic) o nosso programa de mudanças”.
Depois de dois anos e meio de governo, o PT confessa que terá de “abrir seu próprio caminho”. Logo, o caminho em que o PT vem, desde que Lula assumiu, é um caminho dos outros. E pior: terá que “retomar seu programa de mudanças”. É a confissão clara da traição ao programa e da fraude eleitoral.

Alencar
Enquanto o “Trio Iraqueano” do PT (bombardeiam o país todos os dias, a serviço dos banqueiros) fazia de tudo para não desagradar os patrões-banqueiros, o vice José Alencar desancava o governo, desmoralizando os três:
“As tarifas de energia e de telefonia sobem de forma completamente absurda. O preço globalizado do petróleo também. Não há taxa de juro capaz de combater esses dois tipos de aumentos: o previsto nos contratos das privatizações e o do petróleo. Os altos juros impõem um freio no consumo, no país do subconsumo.Você não pode cortar o consumo de quem não consome”.

Ilze
A falta do Papa trouxe outra. Não vamos ouvir mais, toda noite, a doce e forte Ilze Scamparini, o melhor texto e voz femininos da televisão brasileira
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