Haroldo, o Arrudão
CURITIBA - Não é história nova, mas voltou a ficar atual. Uma tarde de 1970, o governador do Paraná, Paulo Pimentel, conversou longamente com o deputado da Arena, Haroldo León Perez, no escritório da representação do Paraná, no Rio. Saiu Perez, Pimentel estava furioso:
- Esse Haroldo é um idiota. Imagine que veio aqui me dizer que vai ser o próximo governador. Já está escolhido, mas gostaria de ter o meu apoio. Em troca, assegura o ministério da Agricultura para mim. Mal conseguiu eleger-se deputado, não tem prestígio nenhum, eu não quero, o Ney (Braga) não o aceita, como é que ele vai ser governador e, ainda por cima, negociando ministério?

Pimentel
Uma semana depois, ao fim de um jantar, em Brasília, o presidente Médici dizia à mulher do deputado Haroldo León Perez:
- A senhora está de parabéns. Amanhã, saberá.
No dia seguinte o governador Paulo Pimentel e o senador Ney Braga foram chamados ao Palácio do Planalto pelo presidente Médici:
- Quero comunicar aos senhores que o governador do Paraná vai ser o deputado Leopoldo Perez.
Falou e já ia despedir-se.

Ney
Ney, pálido, baixa os olhos e sua frio.Paulo Pimentel sorri indignado:
- Mas, Presidente, o deputado Leopoldo Perez, secretário-geral da Arena, é do Amazonas. Não tem nada a ver com o Paraná.
- Não é esse, não, governador. É o outro, do seu Estado.
- O Haroldo Perez?
- Sim, sim. Esse mesmo.
Paulo saiu do palácio para o aeroporto. Ney, para uma casa de saúde.
No dia 15 de março de 71, Haroldo assumiu. No dia 23 de novembro, foi demitido. Por roubo galopante. Era um Arrudão.

Viana
Jorge Viana, bom prefeito de Rio Branco e exemplar governador do Acre, é novamente candidato do PT a governador. Em artigo no "Globo", joga uma ducha de água sanitária bem na cara do partido :
- "Estamos na obrigação de ter humildade para reconhecer que a política brasileira continua com a moral em frangalhos... Os horrorosos desmandos que se revelam no governo do DEM no Distrito Federal são recebidos pela opinião pública como a vergonha da vez (sic). Indispensável é pontuar a política de alianças para a sucessão presidencial com a preparação de candidaturas éticas para o Senado e a Câmara".
Na pagina seguinte da mesma edição do jornal, lê-se :
- "No Pará, a chapa (do PT) está formada com a governadora Ana Júlia Carepa (PT), tendo como candidatos ao Senado o ex-deputado mensaleiro Paulo Rocha, do PT, e o deputado Jader Barbalho, do PMDB".
No escândalo do Mensalão do PT, Paulo Rocha renunciou ao mandato de deputado para não ser cassado. Agora, o PT o recompensa com a candidatura ao Senado. E Jáder é o principal parceiro de Lula no Pará.

Roseana
O deputado federal Roberto Rocha, do PSDB do Maranhão, escreveu artigo "questionando gastos carnavalescos de R$41 milhões que teriam sido feitos pelo governo de Roseana Sarney".
A Assembleia Legislativa do Estado, controlada pela governadora Roseana, "rejeitou incluir nos anais o artigo do deputado" (Folha).
Filha de peixe é peixinha. No Amapá, Sarney controla tudo e proíbe tudo que lhe faz qualquer crítica ou denúncia. É o Sátrapa de Macapá.
Roseana aprendeu com o pai. Está usando o mesmo método no Maranhão. Se a recíproca for verdadeira (uma imita um a outra imita o outro), ela vai acabar levando Sarney para jogar nos cassinos de Las Vegas.

Sarney
Sarney não deixa que a gente o esqueça. Em um bom artigo sobre Tancredo Neves ("100 Anos") na "Folha" de sexta-feira, Sarney deu um escorregão histórico. Acostumado a falsear sua própria história, falseia também a dos outros. Escreveu ele :
- "Em 1955, é ele (Tancredo) quem evita (sic) que o golpe de 11 de novembro interrompa a eleição de Juscelino".
Errado. Qualquer apostila do Enem conta que quem "evitou o golpe de 11 de novembro de 1955" para impedir a posse de JK foi o general Lott. O presidente Café Filho "adoeceu repentinamente no dia 3 de novembro, transmitindo o governo a seu sucessor, o presidente da Câmara, Carlos Luz, que substituiu o general Lott, ministro da Guerra" (um legalista), pelo general "Fiúza de Castro, que havia aderido ao movimento golpista. Lott, com o decisivo apoio do general Denis, liderou um movimento para afastar Carlos Luz" (FGV). O Congresso aprovou o impedimento de Carlos Luz e Café Filho. Nereu, vice do Senado, assumiu a presidência da República.
Amigo incondicional de JK, Tancredo nem deputado era na época. Presidia o Banco de Crédito Real de Minas. Só voltou à Câmara em 62.

Gullar
A Academia Brasileira de Letras. Ferreira Gullar é o maior poeta vivo da língua portuguesa. Com a vaga do inesquecível José Mindlin, se a Academia o rejeitar, não é Academia de Letras. É Academia de Lontras.

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