A seca e as eleições
Uma nova seca chegou e se alastra sobre o semi-árido
do Piauí e o que se vê e se ouve é os políticos
com a mesma ladainha: “O governador sai ou não?”
“O prefeito de Teresina é ou não é
candidato?” “Quem é mesmo o candidato da
base?” E por aí vai... Acaba no próximo
dia 20 o prazo para decretação de emergência
nos municípios. Até agora, apenas 29 prefeitos
tomaram essa providência.
Esta semana, os deputados estaduais fizeram uma audiência
para avaliar a situação da estiagem. Após
as discussões, ficou decidido o encaminhamento de um
memorial ao Governo do Estado solicitando a criação
do programa de agricultura sustentável e irrigação,
socorro imediato às famílias e pequenos agricultores,
além da solicitação de ação
emergencial aos governos estadual e federal.
O autor do requetimento solicitando a audiência, deputado
João de Deus, líder do PT, disse que todas as
expectativas da população por um bom inverno já
não existem mais e que boa parte dos agricultores já
esperam algum tipo de ajuda.
Só que ontem o secretário estadual da Defesa Civil,
deputado Fernando Monteiro, afirmava que não existe seca
no Piauí, neste momento. Segundo ele, está se
verificando uma estiagem. “A estiagem se caracteriza quando
as chuvas são irregulares. Mas chove, apesar do momento
inadequado.” Apesar de minimizar o quadro, ele pelo menos
admitiu que a produção agrícola está
comprometida.
O assunto requer uma maior atenção de todos. Segundo
levantamento da Fetag e da APPM, a seca já castiga mais
de 150 municípios. As perdas da safra variam de 50 a
90 por cento, dependendo da região. A situação
tende a se agravar, pois o Exército decidiu retirar carros-pipa
das localidades que vinham sendo abastecidas através
deles.
É inaceitável que, enquanto milhares de trabalhadores
rurais vivam uma situação de calamidade e privação,
provocada pela seca, os políticos passem o tempo inteiro
desfilando na mídia com a abordagem de temas de seu exclusivo
interesse, como eleições, acordos políticos,
conchavos, traições e outros.
O
mapa do PT
O jornalista Elivaldo Barbosa, da TV Cidade Verde, mapeou o
PT e a tendência de voto no partido sobre a sucessão:
-Movimento PT - (Flora Izabel), Articulação Esquerda (Cícero
Magalhães), Democracia Socialista (Dudu do PT)-
votam em Wellington Dias para senador e candidato único
da base aliada para o governo do Estado, mesmo que o escolhido
não seja do PT.
- Articulação Pela Base (Jesus Rodrigues e Oscar
de Barros) - vota na saída de Wellington Dias para candidatura
de senador e em Antônio José Medeiros como candidato
a governador.
- Articulação Unidade na Luta - (Wellington Dias,
Regina Souza, Nazareno Fonteles, Assis Carvalho, Antônio
José Medeiros e outros históricos petistas) -
É a tendência majoritária no partido e a
única com foco de resistência à forma como
o governador conduz a base aliada, mas sem peso político
para mudar o rumo do partido. Em suma, a reunião
de domingo deverá ratificar a decisão da executiva
do PT, que confere a Wellington ampla liberdade para decidir
sobre seus planos para a eleição deste ano.
Transição
O jornalista Pedro Alcântara passou ontem estas informações:
a transição na Prefeitura de Teresina para troca
de comando entre PSDB e PTB começa 2ª feira, dia
15.
A informação partiu do presidente regional do
PTB do Piauí, senador João Vicente Claudino, ao
desembarcar ontem no aeroporto Petrônio Portela.
Prego
batido
Ele disse que foi comunicado pelo vice-prefeito Elmano Ferrer
de que o prefeito Sílvio Mendes informou oficialmente
que deixa o cargo dia 2 de abril.
Por isso, gostaria de criar uma comissão de transição
formada por membros do PSDB e do PTB, a fim de que possam discutir
sobre cargos e substituições.
E mais
João Vicente disse que não haverá caça
às bruxas, ou seja, o PTB vai governar Teresina com os
técnicos que existem na casa e com quadros do próprio
partido.
Queda
e coice
O plenário do TCE-PI reprovou, ontem, por unanimidade,
as contas do prefeito cassado de Barras, Manin Rego (PMDB),
relativas ao ano de 2005.
O processo já havia sido levado a plenário por
três vezes e tinha parecer desfavorável tanto da
auditoria, quanto da procuradoria.
???
Agora pergunta-se: e o que é que se faz com um Tribunal
que somente em 2010 é que está julgando uma prestação
de contas do ano 2005?
ONG
de Picos
O deputado Kleber Eulálio disse ontem que foi a primeira
voz a se levantar contra o convênio da Secretaria Estadual
de Saúde que beneficia uma policlínica particular
de Picos, administrada por uma ONG.
Para o deputado, os recursos deveriam ser investidos no Hospital
Regional Justino Luz.
Falta agora o deputado Warton Santos se pronunciar sobre o assunto.
Protesto
Ontem, o presidente da APPM – Associação
Piauiense de Municípios e prefeito de Bocaina, o médico
Francisco Macedo, protestou contra o convênio firmado
entre a Secretaria de Estado da Saúde e a ONG ProBrasil,
com a finalidade de transferir, sem licitação,
valores de R$ 1 milhão por mês para sua estruturação.
Escandalizado com o convênio, o Ministério Público
entrou no caso.
Quem escapa
O deputado federal Átila Lira (PSB) avisou, ontem: se
o vice-governador Wilson Martins assumir o governo, ele dará
uma canetada nos petistas.
Vão escapar apenas os secretários Franzé
Alves, da Fazenda, e Regina Sousa, da Administração.
Tucano
nervoso
Do senador Tasso Jereissati, impaciente com a demora do governador
José Serra em se declarar candidato a presidente da República:
- Estou extremamente preocupado com essa estratégia que
ninguém entende. Nem eu nem o Brasil inteiro, só
alguns iluminados.
PINGA FOGO
O poder público só poderá utilizar materiais
originários de madeira com certificação
ambiental.
É
o que propõe um de autoria do deputado Marden Menezes
(PSDB), já transformado em lei, sancionada pelo governador
Wellington Dias.
O
PPS do Piauí está sob intervenção.
A direção nacional tirou do comando regional do
partido o ex-prefeito de São José do Peixe, Valdemar
Santos.
Quem conhece a história do “Kojak”, um forasteiro
que passou por aqui e deu um tremendo bolo no Governo do Piauí?
LIVRE
PENSAR
Compra
de voto
O ex-secretário de Fazenda, Ari Magalhães, era
candidato a deputado federal. Quase que diariamente, ele se
encontrava com o humorista João Cláudio, pois
ambos moravam no mesmo hotel. Conversavam sempre sobre literatura.
O humorista apreciava o papo do empresário. Um dia, o
jornalista Tomaz Teixeira, também candidato a deputado
federal, liga para o humorista:
- João Cláudio, bota aí em teu show que
o Ari Magalhães tá comprando todos os meus votos.
João Cláudio:
- Não posso, Tomaz!
- E por que não?
- Por que ele já comprou até a mim também.